quarta-feira, 22 de abril de 2009

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Todos os dias são importantes…
Eu costumava, mais por rotina do que por preocupação, perguntar à Catarina, como é que tinha sido o dia dela. A Catarina , três anitos vivazes, um dia fartou-se:”Porque é que me perguntas como foi o meu dia? Eu gosto de todos os dias .Todos os dias são importantes.”
Bela lição! Nunca mais me esqueci. Hoje, dia 23 de Abril, aproveito para dizer à Catarina -quinze anos cheios de inteligência e tranquilidade -que é um dia muito importante.: DIA MUNDIAL DO LIVRO. Temos em comum o amor pelos livros. A Catarina desafia-me :” Já sei. Neste dia, morreram escritores importantes como Cervantes e Shakespeare. Mas para mim todos os dias deviam ser dedicados à leitura. Um livro é um mundo à parte , no qual me isolo e sonho e sou outra ou eu mesma.” Outra bela lição! Afinal todos os dias são mesmos importantes...
Z.C

terça-feira, 21 de abril de 2009

Concurso de escrita criativa

Realizou-se na nossa Biblioteca, durante a Semana da Escola, o CONCURSO DE ESCRITA CRIATIVA : "Dizem que sou uma espécie de escritor". Participaram neste concurso cerca de 60 alunos do ensino básico e secundário. A prova decorreu na Biblioteca, no dia 23 de Março, pelas 9.00 horas, e teve a duração de 45 minutos. Aos alunos do ensino básico foi lido um excerto de um conto de José Régio e foi-lhes pedido que terminassem a história que tinham ouvido. Para os alunos do ensino secundário, pela primeira vez este ano, o tema foi livre.

Parabéns a todos os participantes e esperamos que continuem a colaborar nestas iniciativas com o mesmo empenho que demonstraram este ano!

Podem-se ler aqui os textos vencedores!

Os vencedores do Concurso são os seguintes

ENSINO BÁSICO

1º PRÉMIO – João Porfírio, 7º C

2º PRÉMIO – Leonor Leão, 7º B

3º PRÉMIO – Ana Carvalho, 7º D

ENSINO SECUNDÁRIO

1º PRÉMIO – Alberto Nicolicea, 10º C2

2º PRÉMIO – Inês Mascarenhas, 11º C1

3º PRÉMIO – Maria do Carmo Rego, 10º C2

quarta-feira, 25 de março de 2009

FOTOS DA SEMANA DA ESCOLA

JÁ PODES VER AQUI ALGUMAS FOTOS DAS ACTIVIDADES QUE TÊM ESTADO A DECORRER NA NOSSA ESCOLA!

domingo, 22 de março de 2009

SEMANA DA ESCOLA

A nossa escola está viva! Consulta aqui as muitas actividades que se vão realizar na nossa escola entre os dias 23 e 27 de Março.

sábado, 21 de março de 2009



O Real e o Virtual


«O real e o virtual coexistem, e entram num estreito circuito que nos reenvia constantemente de um para outro. Já não é uma singularização, mas uma individuação como processo, o real e o seu virtual. Já não é uma actualização mas uma cristalização. A pura virtualidade já não tem de se actualizar uma vez que é estritamente correlativa do real com o qual forma o circuito mais pequeno. Já não há inassinabilidade do real e do virtual, mas indiscernibilidade entre os dois termos que se trocam. […] A relação do real e do virtual constitui sempre um circuito, mas de duas maneiras: tanto o real reenvia para virtuais como para outras coisas em vastos circuitos, onde o virtual se actualiza, como o real reenvia para o virtual como para o seu próprio virtual, nos mais pequenos circuitos onde o virtual cristaliza com o real.»
Gilles Deleuze, Diálogos

Ainda a propósito do MATRIX e também do DIA MUNDIAL DA POESIA, que se assinala hoje, 21 de Março:

um poema da polaca WISLAWA SZYMBORSKA, pémio Nobel da literatura em 1996
Talvez tudo isto
Talvez tudo isto
se passe num laboratório?
Debaixo de uma lâmpada de dia,
à noite debaixo de biliões?

Talvez sejamos gerações experimentais?
Despejados de recipiente em recipiente,
agitados nas retortas,
observados por algo mais que o olhar,
um a um
enfim seguros na ponta das pincetas?

Talvez de outro modo:
nenhuma intervenção?
As mudanças vão ocorrendo por si
de acordo com o plano?
A agulha de registo desenha devagar
os ziguezagues previstos?

Talvez até agora nada de interessante haja em nós?
Os monitores de controlo raramente são ligados?
Só quando há guerra e grande de preferência,
alguns voos para além deste torrão,
migrações importantes do ponto A ao B?

Talvez pelo contrário:
lá apreciem somente em episódios?
Eis no grande écran uma pequenita
a coser um botão na sua manga.

Apitam os sensores,
acorre o pessoal.
Que espécime é este
de coraçãozito a bater no meio!
Que graciosa atenção
ao enfiar da linha na agulha!
Alguém entusiasmado grita:
Chamem o Chefe!
Ele que venha ver com os próprios olhos.

Wislawa Szymborska (tradução de Júlio Sousa Gomes)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Qual é o problema de viver numa ilusão?

Miguel Antunes

Uma das questões que se colocam no filme Matrix é a de saber porque é que é melhor saber a verdade sobre a matrix e portanto conhecer a realidade adversa ou, por outro lado, manter-se na ilusão, na matrix conformado e tranquilo.
O filme sugere inúmeros problemas filosóficos passíveis de debate. Problemas estes já abordados de alguma forma por vários autores ao longo da história da filosofia e outros que se nos colocam contemporaneamente de forma nova.
Este problema mencionado no início, a saber, se é preferível a verdade ou a ilusão, pode ser identificado com um tema clássico da Filosofia Política que se pergunta se faz sentido a ideologia política vigente e os valores vigentes ou se será melhor a libertação de uma ideologia propagandística mediante a mudança de paradigma, isto é, mediante a revolução.
Sem querer antecipar o debate que será realizado, pode-se dar atenção a um ou dois aspectos deste problema. Por exemplo, pode-se pôr em questão porque é que na tradição cultural ocidental é moralmente reprovável escolher a ilusão em vez da verdade. Porque é que, apresentado de outra forma, é imoral aceitar uma utopia que mistifica um povo, uma ditadura de direita ou de esquerda como se constituíram no passado?
Colocando a pergunta de uma forma mais contemporânea seria o equivalente a perguntar porque é que é imoral aceitar a ilusão do Eldorado e da riqueza que a ideologia capitalista liberal propõe.
Contudo, estas perguntas às quais imediatamente acedemos com uma resposta mais ou menos emocional, mais ou menos pensada e fundamentada, tapam por sua vez outras perguntas de base sem as quais não se pode responder com real importância se não se lhes der atenção. Ou seja, temos de recuar ou descer um patamar aos fundamentos do que está em questão para podermos ter uma conversa sobre isso que valha a pena.
Por exemplo, quando nos perguntamos porque é que a verdade é melhor que a ilusão de um ponto de vista moral temos de ter clarificado anteriormente o que é uma moral, qual é a nossa moral e que justificação (ética ou filosófica) temos para defender esta moral em vez de outra ou de nenhuma.
Outra pergunta de base que se deve colocar quando se pergunta porque é que moralmente a verdade é preferível à ilusão é: afinal o que entendemos por verdade ou o que é para nós a realidade e como podemos provar isso.
Por fim, e a título de exemplo, duas últimas perguntas que subjazem a esta pergunta (porque é que moralmente é preferível a realidade ou a verdade em vez da ilusão) – se procurar a verdade implica cortar com a ilusão presente, e portanto fazer uma revolução material, ideológica e/ou política, como podemos provar que a revolução trará uma mudança ou apenas uma outra ilusão?
E, por fim, como podemos provar ou saber se mais alguém, além de nós próprios, quer a revolução, ou que direito temos de forçar os outros a aceitar aquilo que tomamos pela realidade?
Estas são apenas algumas propostas de debate que este tema e este filme rico em dúvidas e ideias promove. Gostaria de convidar todos os interessados a duvidarem e a participarem nos debates que se realizarão nos próximos dias neste âmbito.